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[ estudo ]

O que é o google.com/goto e por que ele apaga as fontes que as IAs citam

Em 26 de agosto de 2026, o Google confirmou que passou a substituir os links diretos dos resultados de busca por URLs de passagem no formato google.com/goto?url=, com o destino codificado. A cobertura tratou a mudança como um problema de rank tracking. Nossos dados mostram que o impacto se distribuiu de forma desigual, e que a parte mais difícil de recuperar foi outra: as fontes que os modelos de IA citam ao responder sobre marcas. Em dois dias, 1.774 dessas citações ficaram com destino irrecuperável.

O que mudou

Antes, o link de um resultado apontava para a página de destino. Agora aponta para um endereço do próprio Google, com o destino codificado numa string que não se decodifica — só se segue.

A empresa descreveu a mudança ao Search Engine Land como parte de um histórico de medidas técnicas contra formas de abuso em evolução. O mecanismo aponta para uma finalidade específica: quem lê a página de resultados de fora — ferramentas de SEO, rank trackers, sistemas de IA — não consegue mais saber para onde cada link aponta sem seguir cada redirect, um a um. Numa página com dezenas de links, isso multiplica o custo de qualquer coleta automatizada.

O comportamento não é novo, só recém-confirmado e recém-generalizado. As primeiras observações públicas são de 23 de junho de 2026. O que aconteceu em 26 de agosto foi o Google assumir e o rollout atingir escala.

Nada disso muda ranking. O goto altera o caminho do clique depois que o Google já decidiu a posição da página.

Camada 1: os resultados orgânicos

Nossa base de coleta registrou o goto pela primeira vez em 7 de agosto, em volume baixo — consistente com o teste limitado que corria desde o fim de junho. Depois disso, ocorrências esparsas, sempre abaixo de 1%.

Em 26 de agosto, dia da confirmação, o salto: 9,9% dos resultados orgânicos coletados naquele dia vieram com o link substituído pelo goto. Em uma das marcas monitoradas, 46 das 50 buscas do dia continham ao menos um resultado contaminado, incluindo posições de topo. Para quem acompanha posição orgânica, isso significa um dia em que o próprio domínio da marca “desaparece” dos dados sem ter saído do Google.

Gráfico de barras mostrando o percentual diário de resultados orgânicos coletados com link substituído por google.com/goto, entre 29 de julho e 27 de agosto de 2026. Primeiras ocorrências em 7 de agosto, abaixo de 1%. Pico de 9,9% em 26 de agosto, dia da confirmação do Google. Queda a zero em 27 de agosto, quando o fornecedor de dados passou a resolver o redirect.

Em 27 de agosto, zero. O DataForSEO, principal fornecedor de dados de SERP do mercado, anunciou naquele dia que já resolvia os redirects para o destino real em 99,99% das SERPs no caso dos resultados orgânicos.

Vinte e quatro horas entre o problema aparecer em escala e ser neutralizado. Na camada orgânica.

Camada 2: as citações das IAs

Aqui a história é outra.

Quando um modelo com busca ativa responde sobre uma marca, ele devolve as URLs das páginas que consultou. Em 26 e 27 de agosto, 1.774 dessas citações na nossa base vieram no formato google.com/goto — cada uma com um código único, indecodificável.

Cada uma era uma página real, de um site real, que um sistema de IA usou para falar de uma marca. As fontes existem. Influenciaram a resposta. E ninguém consegue mais saber quais eram.

A concentração num único motor não é acaso: são os sistemas cuja busca passa pela infraestrutura do Google. E o número do DataForSEO explica por quê. No mesmo anúncio em que reportaram 99,99% de resolução em orgânico, eles informaram que mais da metade das SERPs devolvidas pela API deles ainda pode conter ao menos uma URL goto não resolvida no elemento AI Overview, e que seguem trabalhando nisso.

A leitura combinada é o ponto do artigo: o mesmo evento atingiu superfícies diferentes em graus muito diferentes. A busca tradicional foi normalizada em 24 horas. As superfícies de IA ligadas ao Google levaram mais tempo. E os motores que não passam por essa infraestrutura não foram afetados em nenhum momento.

É isso que separa o goto de mudanças anteriores do Google, como a remoção do parâmetro num=100 em 2025. Aquelas encareceram a coleta. Esta apaga informação exatamente onde as marcas passaram a ser citadas.

O alcance não para nas duas camadas

O goto substituiu o link em praticamente toda superfície da página de resultados, e cada uma foi neutralizada em ritmo diferente. Os números do DataForSEO, medindo o percentual de SERPs devolvidas pela API deles que ainda podem conter ao menos uma URL não resolvida:

  • AI Overviews52,26%
  • Local pack25,1%
  • Featured snippets0,39%
  • Resultados orgânicos0,01%

A empresa destaca que esses números indicam o percentual de SERPs retornadas com ao menos uma URL não resolvida, não a frequência com que o Google usa goto no geral.

Quem depende de dado de busca sente isso em qualquer ponto da cadeia: rank tracking, monitoramento de concorrência, auditoria de perfil local, análise de backlink que parte da SERP.

Mas há um efeito que nenhum desses percentuais captura, e ele atinge a marca diretamente.

Quando a fonte aparece como link do Google, o usuário não vê de quem ela é. Numa citação normal, o domínio está ali: a pessoa lê a resposta e registra que a informação veio daquele site. Com o goto, o que aparece é um endereço do Google. O leitor clica, chega ao destino certo — e nunca soube para onde estava indo.

Para a marca citada, isso é exposição perdida no momento exato em que ela aconteceria. A citação existiu, influenciou a resposta, levou tráfego. E não construiu reconhecimento nenhum, porque o nome nunca apareceu.

Não é só o analista que perde o dado. É a marca que perde o crédito.

O que isso significa para a sua marca

Dados de visibilidade em IA precisam de tratamento de origem. Uma URL de redirect contada como “fonte” distorce qualquer ranking de domínios citados. Ferramenta que não trata isso vai mostrar o Google como uma das maiores fontes sobre a sua marca, um dado que não gera decisão nenhuma.

A régua vai continuar mudando, e é por isso que o método importa. O goto é o terceiro movimento do Google contra coleta automatizada em menos de um ano. Isso não torna a medição inviável; torna indispensável saber como ela é feita. Quem acompanha visibilidade em IA precisa conseguir distinguir quando o número mudou por causa da marca e quando mudou por causa do instrumento. Sem essa distinção, toda leitura de série histórica fica sujeita a erro.

Depender de um caminho único de coleta é o risco real. As 1.774 citações perdidas vieram todas da mesma superfície. Nos motores em que a busca não passa pela infraestrutura do Google, as fontes continuaram visíveis durante os mesmos dois dias. Monitoramento apoiado num só caminho fica cego quando esse caminho muda, e ele vai mudar de novo. Cobertura em vários motores não é preferência de produto: é o que mantém a leitura de pé quando uma das superfícies sai do ar.

Perguntas frequentes

O que é a URL google.com/goto?

É um link intermediário que o Google passou a usar nos resultados de busca em 2026. Em vez de apontar direto para a página de destino, o resultado aponta para google.com/goto?url= seguido de um código. Ao clicar, o usuário é redirecionado para a página real. O código não pode ser decodificado por terceiros — só seguido.

O goto muda o ranking do meu site no Google?

Não. Ele altera como o link é escrito na página de resultados, não como o Google classifica as páginas. Não há nada a implementar no seu site.

Por que o goto afeta as respostas das IAs?

Sistemas de IA fazem buscas na web para responder e citam as páginas que usaram. Quando esse caminho passa pela infraestrutura de busca do Google e o link vem no formato goto, a citação registrada é a URL codificada em vez da página real. O leitor da resposta — e qualquer ferramenta de análise — perde a fonte.

Quantas citações foram afetadas?

Na base da Dolomite AI, 1.774 citações registradas em 26 e 27 de agosto de 2026 vieram no formato goto, com destino irrecuperável. Nos resultados orgânicos, o pico foi de 9,9% em 26 de agosto, zerando no dia seguinte.

O problema foi resolvido?

Em grande parte. Nos resultados orgânicos, o principal fornecedor de dados de SERP reporta resolução de 99,99% das URLs, alcançada em cerca de 24 horas. Nas superfícies de IA ligadas ao Google o ajuste levou mais tempo, e a empresa informou que segue trabalhando nisso. Motores cuja busca não passa pela infraestrutura do Google não foram afetados.

O goto afeta quem vê a resposta, ou só as ferramentas?

Os dois. Quando o link vem no formato goto, o usuário chega ao destino correto, mas o domínio da fonte não aparece — ele vê um endereço do Google. Para a marca citada, é exposição perdida: a citação aconteceu, mas o nome não foi visto.

Quando o goto começou?

As primeiras observações públicas são de 23 de junho de 2026. Na nossa base de coleta, as primeiras ocorrências aparecem em 7 de agosto. O Google confirmou o rollout em 26 de agosto.


Fontes

Dados próprios: base de coleta da Dolomite AI, 29/07 a 27/08/2026, marcas monitoradas na plataforma.


A Dolomite AI monitora como ChatGPT, Gemini, Perplexity e Google AI Overviews descrevem e recomendam marcas — e verifica cada fonte que os modelos apresentam.